11 de mai de 2010

Bomfim não abre mão de candidatura

Entrevistado pelo repórter Maikel Marques, da Gazeta de Alagoas, reproduzo aqui trechos da matéria publicada na Gazeta de Alagoas em sua edição da última quinta-feira, 29/04: "Ex-secretário de Cultura diz que tem cacife político suficiente para disputar o cargo de senador pela frente popular de oposição".

O advogado e ex-deputado federal constituinte Eduardo Bomfim, 60 anos, está filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) desde 1972. Orgulha-se de sua intensa militância política contra o regime ditatorial e avisa que tem cacife político suficiente para disputar o cargo de senador da República pela Frente Popular de Oposição (PTB, PDT, PMDB, PR, PCdoB, PT e PRB), que tenta desbancar do Palácio República dos Palmares o grupo tucano liderado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).
“Não trabalho com a possibilidade de não ser candidato. Sinto que o conjunto da frente me apoia. Todas as pré-candidaturas que aí estão são legítimas, mas a minha é muito mais, por causa de minha longa militância política”, diz o ex-presidente da Fundação Cultural Cidade de Maceió quando questionado sobre a possibilidade de ser substituído pelo delegado federal José Pinto de Luna, pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT).
A polêmica acerca da viabilidade de sua candidatura tem justificativa: cada um dos grupos políticos que polarizam a disputa deste ano só pode lançar dois candidatos ao Senado Federal. Mais uma vez aspirante à reeleição, o senador Renan Calheiros, líder estadual do PMDB, é nome certo na disputa deste ano. Neste caso, Bomfim ratifica a necessidade de diálogo franco com os oposicionistas para a escolha da segunda candidatura.
Bomfim não cogita a possibilidade de ter que se curvar à conveniência de seus aliados, caso estes escolham o delegado Pinto de Luna, uma novidade no PT, para dividir o palanque com o influente Renan Calheiros. “Sequer cogito a disputa de outro cargo”, avisa.
O ex-secretário municipal de Cultura aproveita ainda o momento de indefinição dos seus corregilionários para analisar o perfil dos adversários. Ontem em entrevista à Gazeta, falou sobre o deputado federal Benedito de Lira (PP), até dias atrás pré-candidato ao Senado pelo “chapão”.
“O partido dele está no campo do presidente Lula, mas ele acaba de se mudar para o do governador Téo Vilela. É impossível estar de um lado e pedir votos do outro. Essa mudança é um equívoco político. Eu a respeito, mas avalio sua necessidade de ter que negociar ou dividir o mandato de senador”, observou Bomfim. Meticuloso no emprego do verbo, preferiu não associar a “fuga” de Benedito a um possível gesto traiçoeiro.
Ele também surpreende ao revelar diálogo com o prefeito Cícero Almeida (PP), mediante observação de duas testemunhas. “Não tenho como cobrar nada de agora em diante, mas ele me disse que poderia até votar em mim caso o Benedito vá para o outro lado”, avisou.

Governo do Estado

Eduardo Bomfim também não poupa críticas ao grupo que administra o Palácio República dos Palmares. Diz que a cúpula do atual governo criou problemas estruturais e prima pela inviabilidade da infraestrutura, saúde, educação e segurança pública. Reforça ainda a crença de que seu confrade Ronaldo Lessa (PDT), pré candidato ao governo, seja a solução para os problemas que castigam Alagoas.
“Lessa é desenvolvimentista. Tem visão diferenciada em relação ao Téo”, avalia o pré-candidato ao Senado, que considera a ex-ministra Dilma Roussef (PT), pré-candidata à Presidência, como “um fenômeno”, em virtude de seu desempenho satisfatório nas pesquisas de intenção de votos realizadas em todo o País. O Serra (PSDB) continua onde está desde que perdeu a última eleição para o presidente Lula”, ironiza.

PONTOS DE VISTA

Pinto de Luna: “Pinto de Luna só tem seis meses de militância”

“Existem três nomes. Pela ordem: eu, Renan Calheiros e Pinto de Luna. Todos pré-candidatos. É natural que Renan pleiteie a reeleição. É preciso construir o processo com preferência majoritária. Hoje, asseguro que tenho estas condições. Todas as candidaturas são legítimas, mas não existe nenhuma mais legítima do que a minha. Por que? Pelo meu histórico de vida política. Meu histórico de esquerda é muito conhecido. Sou militante de esquerda desde os 18 anos; vereador, deputado constituinte, quatro vezes secretário, vice-ministro da República. Não trabalho com a possibilidade de não ser o candidato ao Senado. Isso de acordo com o contexto atual. Sinto que o conjunto das frentes me apoia. Pinto de Luna [delegado da Polícia Federal] tem declarado que é este o projeto dele. Ele só tem apenas seis meses de militância. Não cogito disputar outro cargo. Minha candidatura é parte de um projeto coletivo, missão nacional de meu partido, que quer constituir bancada de senadores”.

Dilma Rousseff: “Dilma é o fenômeno. Está preparada para governar sim. Ela é leal ao governo”

“Acho que Dilma Rousseff está preparada para governar sim. É uma militante de esquerda que teve postura muito digna na prisão, durante resistência ao período de arbítrio. Tem histórico de capacidade técnica como secretária estadual e ministra. É leal e se identifica com o projeto político de inclusão social e de desenvolvimento econômico do governo federal. Ela já superou as expectativas de intenção de voto antes do previsto. A campanha da Dilma é manter o projeto do atual governo e ampliar o papel do Estado como indutor da soberania econômica e política do País. Dilma é que é o fenômeno. E não o Serra”.

José Serra: “Gostaria de ouvir o discurso do Serra dizendo que é contra a “esmola’”

“Ministro, governador de São Paulo, o Serra é pré-candidato há muito tempo. Ele é profundamente identificado com o projeto neoliberal de Fernando Henrique [ex-presidente da República]. O Serra tem o mesmo patamar de votos desde que perdeu a eleição para o Lula. Não sobe. É competente, mas não estamos discutindo competência, que é condição primeira. O que está em jogo é projeto. Aí, o debate começa a afunilar. São projetos antagônicos. Gostaria de ouvir o discurso neoliberal do Serra dizendo que é contra a ‘esmola’ da distribuição de renda. Acho este discurso pedante e arrogante e carregado de preconceito condenável”.

Téo Vilela: “O governo dele é identificado com FHC e não tem a visão do social”

“Há uma coisa que respeito nos tucanos. Eles são doutrinários. A esquerda gosta de ter uma coerência ideológica. O Téo e os quadros do PSDB são identificados com FHC. Creio que o governo dele corresponde a isso. Não tem a visão do social, do papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico. Criaram sérios problemas na área de infraestrutura, educação, saúde e segurança pública. Téo faz governo com problemas estruturais”.

Ronaldo Lessa: “Lessa tem visão diferenciada em relação ao governador Téo Vilela”

“Ronaldo Lessa tem a tarefa de identificar o projeto nacional de desenvolvimento no Brasil e adequá-lo aqui. Alagoas está caindo; precisa se recuperar. Nosso PIB (Produto Interno Bruto) é muito baixo. O Lessa fez um esforço muito grande [quando era governador do Estado] porque a concepção dele é de uma visão de esquerda. Não conseguiu fazer o que queria. Lessa é um nacional desenvolvimentista. Tem visão diferenciada em relação ao governador”.

Benedito de Lira: “Benedito vai ter que dividir, negociar o mandato de senador”

“A eleição dele estava garantida aqui. É uma decisão dele mudar de grupo, embora considere isso um equívoco. O partido dele está no campo do Lula, mas ele aderiu ao governo Téo Vilela por sua própria vontade. Sempre teve prestígio do governo federal, mas, de última hora, aderiu ao PSDB. Já ouvi até dizer que estaria lá e votaria, aqui, em Dilma. O suplente dele pode ser o João Tenório. Ele vai ter que dividir, negociar o mandato. É um constrangimento imposto ao partido dele. Não pode ter o discurso de que está com Lula. Ele só pensou no imediato”.

Cícero Almeida: “Disse que votaria em mim, mas não posso cobrar”

“Fui secretário de Cultura do prefeito Cícero Almeida. Quando deixei o cargo, ele me disse que, dependendo das circunstâncias, com o Benedito de Lira [atual deputado federal pré-candidato ao Senado] indo para o outro lado, ele poderia votar em mim. E há duas testemunhas da conversa. Mas não estou cobrando o apoio dele não. Não posso cobrar nada. Fui muito prestigiado. Pela sua capacidade administrativa, gostaria muito de ter o apoio dele”.

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