9 de jun de 2010

" BRANCA"

Uma versão do texto “O Santo Inquérito” de Dias Gomes, drama baseado em um fato histórico no Brasil de 1750, no sertão nordestino, mas especificamente na Paraíba, conta a historia de Branca uma jovem neta de cristão novo, condenada a fogueira por heresia. Ao vermos essa obra é fácil perceber que apesar de o drama se tratar de uma época longínqua da historia do Brasil o autor de forma mascarada retrata os fatos negativos de nossa historia recente entre a década de 60 e 70, com a ditadura militar, ele faz uma abordagem de como a comunicação humana pode ser deturpada, ficando a interpretação das frases de Branca a intenção daqueles que a queriam condenar, acreditando que ela poderia ser uma ameaça para a igreja que então representava o pode maximo, bem o que acontecia na ditadura, onde as provas para condenar alguém de subvenção poderia ser uma conversa, ou um livro tido como proibido encontrado em poder do possível “subversivo”, ao longo da peça as semelhança ficam mais visíveis se tornando assim Branca uma personagem atemporal. O grupo baiano tem em sua linha de encenação o espaço oco, dando também o nome Cia Oco Teatro Laboratório, ou seja, vazio que como eles mesmos colocam deverá ser preenchido pelo ator em sua representação, explorando o minimalismo através do uso de elementos cenográficos com uma estética simbolista, proporcionando uma variada interpretação por parte do espectador. Oco estreou Branca em 2006 no encontro internacional de teatro no Equador, passando pela Espanha, Lima no Peru, Quito e Guayaquil. Ao longo dos seus sete anos de historia vem conquistando espaço em festivais, surgido das necessidades de seus fundadores o cubano Luiz Alberto Alonso e pelo baiano Rafael Magalhães de desenvolver uma estética teatral baseada na antropologia teatral vem passando por muitos lugares ministrando cursos e palestra sobre a sua experiência na sua linha de encenação. E agora em Maceió fazendo parte de uma projeto de levar grandes clássicos teatrais no nordeste, aqui sua passagem foi marcada por oficinas e duas apresentações “ Os Sonhos de Segismundo” e “Branca”.


Texto de Maria Lucyelma

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